Segundo Locke, então, a mente não teria
absolutamente idéias inatas. O que seriam inatas eram as faculdades: a mente
percebe, lembra, e combina a idéias que lhe chegam do mundo exterior. Ela
também deseja, delibera, e quer, e estas atividades mentais são elas próprias a
fonte de nova classe de idéias.
De acordo com Locke todas
as idéias de Reflexão caem nas seguintes subcategorias:
1. Memória: a habilidade de chamar
uma idéia ausente de volta à consciência;
2. Retenção: a habilidade de manter
um pensamento na consciência;
3. Discernimento: a habilidade de
reconhecer diferenças entre as coisas;
4. Comparação: a habilidade de
reconhecer as semelhanças entre as coisas;
5. Composição: a habilidade de
construir novas idéias tomando como material, outras idéias; e
6. Abstração: a habilidade de
distinguir princípios de relação abstratos (tais como provas matemáticas), os
quais jazem por trás de outras idéias e assim criar uma idéia de generalidade.
A experiência é pois dupla. Nossa
observação tanto pode visar objetos externos da sensibilidade quanto operações
internas da própria mente. No primeiro caso as idéias são de sensação, no
segundo, de reflexão. No entanto, sem a sensação a mente não teria com que
operar e portanto não poderia ter idéias de suas operações, ou seja, idéias de
reflexão.

